Uso do Extrato Aquoso de Folhas de NIM para o Controle de organismos — Por Sócrattes Martins Araújo de Azevêdo, Engenheiro Florestal

  • Autor: Redação - Data 19/04/2017

Há muitas controvérsias a respeito do Nim Indiano desde uso medicinal à mortalidade de abelhas em certas regiões do Brasil, umas comprovadas em trabalhos científicos, outras somente por conversas de calçadas.

A planta de nim (Azadirachta indica Juss.) possui origem na Ásia e tem sido cultivada em países das Américas, da África e na Austrália. No Brasil, tem mostrado boa adaptação às regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A planta desenvolve-se bem em locais onde o pH do solo varia de 6,2 a 7,0, com precipitação anual de 400 a 800 mm e temperatura entre 21 e 32°C. A árvore tem folhas compostas, flores branco-lilás e frutos no formato de baga ovalada, com uma ou duas sementes. Em condições ideais, atinge cerca de 20 m de altura e produz, na maturação, de 10 a 100 toneladas de matéria seca/ha, sendo a metade da biomassa representada pelas folhas (EMBRAPA). Além de uso como inseticida, o nim pode ser utilizado para sombra reflorestamento para a fabricação de postes, ferramentas e móveis e na produção de matéria-prima para medicamentos.

Sua ação como inseticida é obtida pelo composto chamado Azadiractina que atua diretamente sobre os insetos, sendo os frutos a sua principal fonte, além da casca e das folhas. O nim atua sobre os insetos como repelente e antialimentar, interferindo nos hormônios reguladores do crescimento, na metamorfose e na reprodução. A ação no ciclo biológico é mostrada através da redução na longevidade dos adultos.

- DA COLETA DAS FOLHAS AO PREPARO DO EXTRATO:

As folhas de nim são coletadas junto com os talos e colocadas à sombra, em uma fina camada para secagem ao ar, por aproximadamente 10 dias o que vai depender de cada ambiente em que as folhas foram acondicionadas até ficarem desidratadas e quebradiças. Logo depois devemos separar as folhas do talo e com auxílio de algum moedor estas serão moídas até formarem um pó para ser utilizado na preparação do extrato. Segundo a EMBRAPA-MILHO E SORGO, os teores de Azadiractina nas folhas do nim podem variar de acordo com a época do ano que segundo pesquisas feitas nas regiões entre Minas Gerais e São Paulo a maior concentração dessa substância ocorre nos meses de março e abril, logo após o final do período chuvoso, e decresce acentuadamente no período de baixa precipitação pluviométrica (junho a setembro).

Para a preparação do extrato, colocam-se 100 ou 150 g do pó de folha de nim por litro de água. Ao misturar o pó na água, deve-se mexer bem, para homogeneizar a mistura e, em seguida, deixar em repouso por 1 dia. É recomendado não encher o recipiente até a borda, pois, com a hidratação do pó, o volume irá aumentar e poderá transbordar. Após esse tempo, deve-se coar o extrato, utilizando um tecido de algodão para evitar a entrada resíduos de partículas na calda, evitando o entupimento dos bicos do pulverizador profissional ou até mesmo de um simples borrifador. Para que o extrato tenha uma aderência às folhas da espécie atacada é altamente recomendado a utilização de algum óleo que pode ser até mesmo o óleo de soja comprado nos supermercados (cerca de 350 mL/100 L da calda).

A hora ideal para aplicação do extrato é no final da tarde. Isso se deve ao efeito de raios ultravioleta (UV) sobre o extrato que fica bem reduzido. Pesquisas indicam que a Azadiractina é sensível à fotodegradação, podendo ter a ação inseticida reduzida pelos raios UV. O melhor controle dos insetos é obtido com três aplicações da calda, com intervalo de dois dias entre as aplicações. No caso de lagartas o extrato deve ser aplicado quando a lagarta estiver com menos de oito dias de idade, ou seja, com tamanho inferior a 1 cm de comprimento.

Os produtos derivados do nim são conhecidos para o controle de insetos, vírus, fungos e bactérias que causam danos às plantas, mas o efeito sobre os insetos ainda não é bem entendido devido ao desconhecimento da dose adequada para acabar com os mesmos.

 

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