Chacina do bairro do Rangel em João Pessoa já vai Fazer 8 anos. Casal é condenado a pena somada de 236 anos

  • Autor: Nova Opinião - Data 14/01/2017

 

Carlos José Soares de Lima e Edileuza Oliveira dos Santos, acusados de matar cinco integrantes da mesma família em João Pessoa (PB) em 2009, foram considerados culpados pelo 1º Tribunal do Júri da capital paraibana. Somadas, as penas do casal, envolvido no crime que ficou conhecido como "chacina do Rangel", chegam a 236 anos de prisão. O julgamento durou 21 horas e foi encerrado na madrugada desta sexta-feira.

A sentença começou a ser lida por volta das 4h30. Carlos José foi condenado a 116 anos, enquanto a mulher dele, Edileuza Oliveira, cumprirá pena de 120 anos. Na prática, ele vai cumprir 19 anos e ela, 20 anos, segundo informou o promotor Alexandre Varandas, já que no Brasil o período máximo que um condenado pode ficar na prisão é de 30 anos, sendo que o detento pode ser beneficiado com o regime semiaberto depois de cumprir um sexto da pena.

O crime aconteceu na madrugada de 9 de julho de 2009 no bairro do Rangel, em João Pessoa. Na chacina, morreram o gesseiro Moisés Soares Santos, 33 anos, Divanise Lima dos Santos - que estava grávida de gêmeos - e os filhos Raíssa, 2 anos, Raí, 4 anos, e Raquel, 10 anos. Uma criança e um adolescente sobreviveram à tragédia, um deles por ter se escondido debaixo da cama.

Carlos José e Edileuza dos Santos eram vizinhos das vítimas e foram acusados de serem os responsáveis pela chacina. Os réus confessaram os crimes, mas passaram a divergir sobre a autoria deles ao longo do processo que os indiciou por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil e de maneira cruel.

Carlos mudou sua versão dos fatos desde que a chacina ocorreu, quando assumiu a autoria de todos os crimes e inocentou a mulher. No julgamento, ele disse que matou somente o vizinho Moisés e atribuiu a morte da mulher grávida e das crianças a Edileuza.

Ele reconheceu o facão utilizado para matar o vizinho e contou que agiu por vingança. Na versão de Carlos, o ponto alto das divergências teria sido quando Moisés matou uma galinha dele e o teria ameaçado de morte. Para se vingar, o réu relatou que foi de madrugada à casa do vizinho junto com a mulher e o atingiu com vários golpes de faca.

A violência do ataque ele atribui ao fato da vítima ter reagido, após acordar. Segundo Carlos, a mulher foi quem golpeou as crianças e a esposa de Moisés, Divanise Lima, aproveitando-se do facão que ele deixara cair para desferir o golpe final no vizinho com uma peixeira.

Carlos disse ainda no julgamento que não apresentou essa versão dos fatos logo porque queria livrar a culpa da mulher para que ela criasse o filho dos dois. Ele chegou a pedir perdão e a falar várias vezes em Deus, alegando não ser uma pessoa má, nem um psicopata.

Já segundo a irmã de Edileuza, que depôs como testemunha de defesa dela, os crimes foram praticados somente por Carlos. Segundo Edilene, a irmã lhe relatou que estava dormindo quando o marido saiu sem lhe avisar, e somente acordou com os gritos dos vizinhos após Carlos voltar para casa. Mas a própria Edileuza apresentou várias contradições durante seu depoimento, dando argumentos para a condenação pedida pela promotoria.

Um dos depoimentos mais marcantes foi o do policial militar José Fausto de Oliveira. Ele garante que Divanise Lima lhe contou que foi Edileuza quem matou seus filhos e Carlos matou o seu marido Moisés. Ele relatou as últimas palavras da vítima antes de ficar inconsciente e morrer um dia depois do crime.

Ao final, os sete jurados consideraram Carlos como autor da morte de Moisés e co-autor dos outros quatro assassinatos, além da tentativa de homicídio contra uma criança e um adolescente que sobreviveram à chacina. Edileuza foi condenada pela morte de Divanise e das crianças e pela tentativa de assassinato dos dois filhos e ainda como co-autora da morte de Moisés.

Alívio

Os familiares das vítimas demonstraram cansaço, mas alívio após o julgamento. A irmã de Divanise, Denise Lima, disse que a condenação foi justa. "Graças a Deus foi feita Justiça. Não traz nenhum dos familiares de volta, mas ameniza a dor", afirmou. Segundo ela, dois momentos foram considerados piores para a família das vítimas: "quando eles entraram e quando a gente viu as fotos. Foi uma barbaridade".

Denise Lima disse que estava confiante na condenação e que não adiantou jogar a culpa um no outro. "Ela é muito fria, calculista. Ele devia ter pensado em Deus antes de fazer aquilo e só falou em Deus para impressionar os jurados", disse.

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