Uma reforma que não altera a crise nacional

  • Autor: Genival Dantas - Data 23/10/2016

No meu último artigo falei a respeito dos números que continuavam sinalizando o quadro crítico tanto político como moral e econômico, do governo central, em direção a bancarrota e levando por arrasto a economia privada. Com a tão esperada reforma ministerial, e secretarias com status de ministérios, o anunciado não passa de um rearranjo mal formulado, imprudente e insólito para o momento de aflição e desconfiança do brasileiro de inteligência mediana.

O PMDB, partido que mais exigia mudanças já tinha seis ministérios sob seu comando e foi contemplado com mais um, totalizando sete ministérios de relevante peso no organograma ministerial, com recursos de R$98,7 bi; o PT, partido da própria presidente, teve que se contentar com nove ministérios com recursos orçados em R$75,5 bi, valores correspondentes ao orçamento para o próximo ano (2016), portanto, muito embora tenha sob sua administração uma quantidade maior de ministérios, tem uma receita menor.

O restante da administração do governo federal foi rateada entre os demais partidos da base aliada escalados para aprovarem com seus congressistas todo plano de apoio aos desafios que virão com a nova política econômica adotada pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, e os pedidos de cassação da Presidente Dilma Rousseff, cujos processos de impeachment encontram-se na Câmara Federal.

Esse novo modelo de compartilhamento vem no momento em que o governo apresenta um quadro esquálido, pela inépcia governamental e suas ações incipientes e o próprio comportamento abantesma da composição anterior. É bom lembrar que da forma que foi avençado o quadro gerencia de primeira linha, ficou claro a divisão de poderes para os apadrinhados do Planalto, em três fatias bem divididas; o ex-presidente Lula, Luiz Inácio da Silva, o vice-presidente da República, Michel Temer, e o Congresso Nacional, ficando para a presidente em exercício o dever de cumprir o papel de mandatária, assinando por direito tudo que for acordado pelos seus nomeados, aliás, nomeados pelo comando do rateio e despachar de conformidade como manda a etiqueta. É uma pena, mas, teremos daqui para frente uma presidente que preside mas não manda, pelo que já estudei da velha e nova República um fato novo, nunca visto antes em nosso país, uma verdadeira renuncia branca.

A voragem daninha dos sibaritas do conluio da Lava Jato e outras malignidades que povoam a pátria desprotegida dos séquitos fez um governo insepulto, em operações de mãos sujas detonando todo o moral e o prestigio internacional que tínhamos até então. Não podemos dizer que o atual governo, precedido pelo do ex-presidente Lula, não tenha havido progresso, ou legado positivo, em alguns setores, principalmente na área social; infelizmente os danos causados no todo soterraram os feitos do inicio da administração sonhática, com a absoluta falta de controles, ou mesmo instrumentos de avaliações, sem as medições necessárias e locações de mão de obra técnica para ajudar no ordenamento das ações que pudesse arrefecer as atitudes dos ímprobos saqueadores do erário público.

Os governos do PT não tinham nenhum projeto de governo tudo estava baseado num projeto de poder, dessa forma, o resultado não podia ser diferente, como foi afirmado pela militância petista, na última eleição, eles seriam capazes de fazer até o diabo para manter o governo, realmente isso foi feito, materializado na mentiras de campanha da Presidente Dilma.

A presidente perda uma grande oportunidade de mostrar um pouco de equilíbrio e gestão, impondo algumas condições nessa nova reforma, mantendo, como exemplo, um técnico no comando da educação, em substituição ao professor Renato Janine Ribeiro, que pudesse dar a mesma respeitabilidade ao demitido, e agregasse valor para reabilitação de um setor definhado. Em outra pasta, alguém que não fosse um confronto direto com os militares e áreas sensíveis, Aldo Rebelo (PC do B), não é a pessoa mais indicada nesse momento de estremecimentos para assumir o Ministério da Defesa; enquanto a área da saúde precisava de alguém com experiência maior e com transito nos vários setores do seu entorno, Marcelo Castro não é bem o que se esperava para esse setor entubado na UTI.

Quando se faz uma reforma puramente política tentando sustentação e apoio para salvar um governo, o resultado é realmente desastroso, nada mais modelar como o que foi feito de tão próximo da acuidade danosa. Tentar fazer diferente repetindo erros do passado é no mínimo grotesco e estapafúrdio, essa prática não nos levará a nada, tudo vai continuar como antes, o mais perigoso é que a crise continue se aprofundando, pois, muitos foram os desagradados, ficando de fora da divisão do bolo alheio, o dinheiro público não representa favorecimentos de poucos, mas a utilização de recursos em benefício de todos, nesse ritmo de prevaricação por tantos barnabés o final do atual governo não será nada brilhante, pelo contrário, será no mínimo doloso.

Genival Torres Dantas
Escritor e Poeta

 

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