Sócrattes Martins - engflor.socrattes@hotmail.com

Possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Campina Grande (2011). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Campina Grande - Campus de Patos - PB. Atualmente faz parte do Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil (CNPQ), Estudos das Madeiras do Semiárido (GPEMSA) - UFCG, atuando nas linhas de pesquisa: Biodeterioração e Preservação de Madeiras e Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais. É revisor dos periódicos nacionais: Revista Caatinga (Online) e Nativa: Pesquisas Agrárias e Ambientais nas áreas de Ciências Florestais e Ciência da Madeira. Tem o cargo de Diretor de Gestão Ambiental na Secretaria Executiva do Meio Ambiente de Cajazeiras e presta serviços de assistência técnica e extensão rural nas comunidades rurais com ênfase nos serviços de CAR – Cadastro Ambiental Rural, INCRA, Realização de palestras e Minicursos voltados às comunidades rurais e assentamentos.

El Niño e La Niña, o que estes fenômenos podem interferir em nossa região.

  • Postado em 28-10-2016

El Niño pode ser definido como um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se a presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru na época de Natal.

Talvez a melhor maneira de se referir ao fenômeno El Niño seja pelo uso da terminologia mais técnica, que inclui as caraterísticas oceânicas-atmosféricas, associadas ao aquecimento anormal do oceano pacifico tropical. O ENOS, ou El Niño Oscilação Sul representa de “forma mais genérica” um fenômeno de interação atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e no Pacifico oeste próximo à Austrália.

Além de índices baseados nos valores da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacifico equatorial, o fenômeno ENOS pode ser também quantificado pelo Índice de Oscilação Sul (IOS). Este índice representa a diferença entre a pressão ao nível do mar entre o Pacifico Central (Taiti) e o Pacifico do Oeste (Darwin/Austrália). Esse índice está relacionado com as mudanças na circulação atmosférica nos níveis baixos da atmosfera, consequência do aquecimento/resfriamento das águas superficiais na região. Valores negativos e positivos da IOS são indicadores da ocorrência do El Niño e La Niña respectivamente.

Ora, La Niña, como é o oposto, ou seja, é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, então os efeitos são exatamente opostos! Mas não é bem assim. O termo La Niña ("a menina", em espanhol) surgiu, pois, o fenômeno se caracteriza por ser oposto ao El Niño. Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El Viejo ("o velho", em espanhol). Algumas pessoas chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño seria então o Diabo e, portanto, esse termo é pouco utilizado. O termo mais utilizado hoje é: La Niña

Para entender sobre La Niña, vamos imaginar uma situação normal que ocorre no Pacífico Equatorial, que seria o exemplo de uma piscina com o ventilador ligado, o que faria com que as águas da piscina fossem empurradas para o lado oposto ao ventilador, onde há então acúmulo de águas. Voltando para o Oceano Pacífico, sabemos que o ventilador faz o papel dos ventos alísios e que o acúmulo de águas se dá no Pacífico Equatorial Ocidental, onde as águas estão mais quentes.

Logo, o La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao EL Niño, e que se caracteriza por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima devido à La Niña, como no caso a nossa região que sofre com grandes períodos de estiagem devido ao El Niño.

Fonte: INPE

A imagem acima mostra o acumulado entre o período de 01/10/2016 a 10/10/2016 da temperatura da superfície do mar (TSM), e mostra claramente a atividade do fenômeno El Niño na costa nordestina. Tal fato mostra que a referida imagem não é novidade para a nossa região, pois sabemos que o risco de precipitação nessa época do ano é praticamente zero. O que preocupa é que segundo dados e informações do INPE, o tal fenômeno continue em nossa região por mais alguns meses, fato este que compromete o período chuvoso que sempre existiu em nossa região nos períodos de janeiro até início de junho.

Torcemos para que o La Niña venha para a nossa região com a queda da temperatura da superfície do mar, as chuvas aconteceram com mais intensidade em nossa região. Enquanto isso, vamos economizar o pouco de água que ainda resta em nossos reservatórios artificiais, como também economizar o que nos resta ainda no lençol freático.

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